e todo caminho deu no mar

e todo caminho deu no mar
"lâmpada para os meus pés é a tua palavra"

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Oriente-se


UFRRJ – IM – DL – CURSO DE LETRAS
LOCAL E DATA: Campus de Nova Iguaçu, 13/11/15

Oriente-se
A escrita monográfica como inscrição acadêmica

Minicurso com certificado - 30 vagas
Prof. Nonato Gurgel
Inscrições: Mariana Figueiredo 


Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
...
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação
...
Determine, rapaz
Onde vai ser seu curso de pós-graduação ...
Oriente, Gilberto Gil


 

domingo, 4 de outubro de 2015

Uma Arte

poema de Elizabeth Bishop por Antônio Abujamra

Bishop e Ana C


Para os alunos de Teoria da Literatura
que estão lendo O Iceberg Imaginário e Poética

 
Bem vinda a esta casa é o título do belo documentário de Bárbara Hammer sobre a poeta americana Elizabeth Bishop, que morou no Rio de Janeiro, Petrópolis e Ouro Preto durante quase 20 anos. Exibido no Festival do Rio 2015, o filme pode ser visto em cinemas da zona sul até o dia 12/10.
 
Desde que saí do cinema, não paro de pensar em Ana C. No livro A teus pés, ela diz em "Travelling": Do alto da serra de Petrópolis,/ com um chapéu de ponta e um regador,/ Elizabeth reconfirmava, "Perder/ é mais fácil que se pensa".  Neste simulacro, feito a partir do poema "Uma Arte",  de Bishop, "a voz rascante" da modernidade ratifica a falta de mistério que há na "arte" de perder. 
 
Este texto que fala da perda das "três casas excelentes" encerra o documentário que revela o encontro da poeta com Clarice Lispector. "Uma Arte" encerra também o filme Flores Raras, de Bruno Barreto, e faz parte da peça Um porto para Elizabeth Bishop, de Martha Góes. Os dois filmes e a peça são belas leituras em torno da autora que traduziu, para o inglês, poetas como Manuel Bandeira e Carlos Drummond, dentre outros autores modernos do Brasil.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

I Seminário sobre representação animal na Literatura


Nesta sexta-feira, dia 02, participo desta mesa no evento que começa hoje na UERJ:


Comunicações (13) – Moderadora: Miriam Lourdes Impellizieri Luna Ferreira da Silva

Igraínne B. Marques (UERJ): “O dragão como figura e símbolo imaginário na Idade Média e na atualidade”

Liège Copstein (URI -FW): “Metáfora animal em Disgrace, de J.M. Coetzee J.M.

Miriam Lourdes Impellizieri (UERJ) e Cláudia Heloisa Impellizieri Luna Ferreira da Silva (UFRJ): “Os livros das bestas: entre o universo medieval e o fantástico contemporâneo”

Raimundo Nonato Gurgel Soares (UFRRJ): “Maracanã de roçado: bichos escritos nas cartas de Câmara Cascudo”

domingo, 27 de setembro de 2015

Gonaçalo Tavares

 

Uma viagem à índia: melancolia contemporânea (um itinerário)
 
Para o poeta João Batista de Moraes
 

Com alguma sombra de Pessoa – maior ainda a
de Whitman – mas sem lágrimas recalcadas.

Eduardo Lourenço, Uma viagem no coração do caos
 

... a biografia de um país
passa também pela gastronomia profunda: o que é um povo
senão o que come?

Um estrangeiro é sempre uma novidade, tanto verbal
como no número de hábitos que traz para a paisagem.

Um homem que fale demasiado/ é surdo

Foi noite e choveu, agora está sol e amanhece.

O que é um dia senão um jogo de dados/ entre vontade e matéria?

Um homem apaixonado é um excesso/ de concentração

Paris tem uma paisagem propensa à memória; / cada cidade privilegia certas áreas do cérebro...

E sabendo-se que os sonhos misturam vários estilos literários – p. 186

Em sítios de calor os abraços de conforto/ não são assim tão importantes – p. 187

Como alguém que acelera para não ver o mundo – p. 195

Só ouço quem me diz Avança,/ eis a minha surdez... – p. 1999

Porque nem em Paris é sempre Dezembro,/ nem no Brasil a rotação pára sempre no mês quente. – p. 204

... percebendo então o que falta/ aos mapas: o cheiro – p. 205

No centro de tua queda/ se erguerá a tua tranquilidade... p. 208

O rosto/ é manuscrito pelo punho dos inimigos/ – e esta é a primeira parte da primeira aprendizagem - p. 215

Os cães não tiveram/ os Gregos como antepassados – p. 218

... mas até as doenças/ querem ser contemporâneas – p. 233

A luz do sol – é bom relembrar o óbvio –,
não está no mundo para prestar bons serviços à literatura. p. 235

O poder é inimigo dos versos, eis o facto. p. 239

Ninguém mente aos gritos, de longe. p. 243

de longe, a maior invenção dos Homens/ é o beijo – p. 253

Cada morte diz qual o bocado do corpo/ que afinal deverias ter defendido – p. 270

Ninguém varre o que ama, e a natureza está a varrer/ a cidade – p. 274

No meio dos piores momentos prepara-se o/ dia de sol e o cheiro mínimo das ervas verdes – p. 276

Os caminhos aumentam/ quando a cama é má – p. 298

O Ganges é a biografia,/ em líquido, de todas as cidades próximas – p. 298

Bloom sabia que só existe idade madura no corpo que/ atravessou uma doença ou a compreendeu – p. 308

Um insulto/ ou uma leve indelicadeza sintática/ podem estragar um/ dia biológico e compacto – p. 313

No azul deveremos enterrar a nossa estaca – p. 314

Vento tão lento que parede um provérbio – p. 382

No ócio o rosto desembaraça-se e sozinho ganha/ um estilo individual; portanto: perigoso – p. 388

Como a imobilidade e a atenção são sinônimos! p. 408

 Uma estrada é interrompida/ por uma maçã perfeita – p. 412

No Ocidente o divino foi paginado cuidadosamente; / tem uma encadernação cara – p. 414

 
 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Clarice vai à Feira



I Conferência de Saberes e Tradições Nordestinas
Local: Rio de Janeiro, Centro Luiz Gonzaga - Feira de São Cristóvão,17 a 20 de Setembro


Dia 17 - 09 - Local: Biblioteca Padre Cícero
14H às 15:30H – Histórias da Feira de São Cristovão - Patrimônio Cultural Imaterial

Elis Regina Barbosa Angelo – UFRRJ: Âmbitos do patrimônio imaterial: conceitos, definições e direções na construção dos saberes do Brasil.

Prof. Nonato Gurgel – UFRRJ: Clarice Lispector na Feira de são Cristóvão.

Prof. Leonardo Santana da Silva - Unisuam – (mediador)

sábado, 12 de setembro de 2015

Maria Bethânia

 
Para Macabéa Córdova que viu comigo
 

Amanhã é o último dia da mostra que comemora, no Paço Imperial, os 50 anos de carreira da deusa baiana. Ouvi Fernando Pessoa na voz de Maria Bethânia antes de ler o poeta luso na página (O eu profundo e os outros eus). Isso não é pouco. Marca um jeito de ler a poesia e interpretar o mundo. Um modo meio carta e carcará - pega, mata e come - de ouvir e estar no mundo. Modos que a grande artista Bia Lessa traduz com vigor na direção da mostra que poderia se chamar O cheiro da canção.
 
Hoje cheirei e ouvi literalmente a voz que Deus deu para ela cuidar. A voz que sai de antes do umbigo. Voz que acolhe e corta. Uma enchente que seca e depois sangra. Canto que confirma e inventa uma vida, como diz a escritora portuguesa Inês Pedrosa nas paredes - as paredes sabem tudo, por isso um homem pode amar uma parede, uma pedra, uma planta. Mesmo que esta planta seja capim, como Macabéa. Capim de feno. Inês sobre Bethânia: "Pessoa escreve na tua voz o vendaval de paixão que seu corpo apenas pode inventar..."
 
Assim é a mostra e suas mais de mil peças: telas, esculturas, fotos, vídeos, objetos pessoais e canções. O feno - o cheiro - perpassa os ambientes. Feno/floração. O expectador é seguido pelo cheiro do feno que floresce pelas salas. Além do capim verde marrom, outros cheiros acionam o corpo que ouve as vozes das lavadeiras. Haja memórias. Memorial afetivo do pretérito. Melhor focar no presente da mostra. Focar no fundo. O fundo verde das paredes que, inscritas a fogo e giz, falam.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

mortos nas praias

 
 A escritora senegalesa Fatou Diome
e os impasses da velha Europa ou
a leitura histórica perturba o gozo estético


sábado, 5 de setembro de 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

poesia

 
com o poeta Adriano Espíndola
lançamento de Escritos ao Sol (Rio, 2015)


domingo, 2 de agosto de 2015

Postas de superfície


Para R

Brisa marinha
do barco a seco
irriga poros
revira costas
do corpo alado  

Devolve destroço
ao mar aberto
e volta à praia
com postas
de superfície





quarta-feira, 15 de julho de 2015

curso

 
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

2015,







...seguirei pela estrada estendendo a pele às dávidas do dia


Rosa Alice Barroso, "A divisibilidade dos aromas" in Soletrar o dia, Lisboa: Quasi, 2002





terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Formosa

 
Para Jô Medeiros
autora da primeira frase

 
Depois que aquele cachorro entrou no puteiro, não ficou pedra sobre pedra. O menino, filho de peixe, correu léguas. A dona do recinto, bobes na cabeça, parou de inclinar bandeja no salão. E a sereia, meu deus, depois que aquele cachorro entrou no puteiro, nunca mais a sereia foi a mesma. Vamos combinar que ninguém foi o mesmo depois que o cachorro entrou no puteiro: nem o menino que correu nem a dona de bobes nem a sereia dizendo o nome do peixe.

 
Para ser sincera, não foram mais os mesmos nenhum dos clientes ali presentes. Sentados à mesa, eles esperavam. Esperavam educadamente os roteiros sugeridos pelos retornos do menino, da dona que servia bandejas e da sereia que entrou com um peixe e sem nenhum voltou. Os clientes não entendiam, a tarde talvez fosse azul, a sereia tinha olhos verdes. Eles não entendiam serem eles, os clientes, os principais personagens daquela narrativa à beira mar. Azul aberto por pedras que uivam, o mar socorria a todos. Depois fez-se noite. As pedras continuaram uivando para a lua que faltava uma banda.

 
Todo mundo sabe que quando a lua falta uma banda, mudam as marés. Tudo muda, move. Move o menino a dona a sereia – todos desaparecidos. O menino corre em busca do lugar. Lugar onde não se ouve o esganiçar dos cães que assestam o ouvido na direção da baía. Igrejinha por perto. Morro branco ao fundo. Peixe frito, e um mar azul sem tamanho a inundar as fendas do olhar esbugalhado. Formosa mulher sem bobs nem bobes. Ela brinca com fogo. Brinca de marginal com trilha romântica, em pleno verão liberal pré e pós. Formosa mulher, acreditei na conversa, e a sereia? Olhei nos olhos da sereia, esqueci o cão e revi o meu mundo caiu 371.

 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Engenharia dos ventos




Querido Joaquim

Descampados de ventos narram
no silêncio quente o renascer
de um ente inclinado ao abandono
das entranhas e ao evangelho
das pedras que respiram ao léu

Nesta selva de bichos
arbustos e infâncias no peito
transita reinos
pedra mato
rato rã
homemulher