miniSertão

escritos de Nonato Gurgel

e todo caminho deu no mar

e todo caminho deu no mar
"lâmpada para os meus pés é a tua palavra"

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Sobre Saga lusa



O livro de Adriana C faz rir e pensar: “O que não pode é panicar, descontrole cognitivo, essas baixarias”. O texto é um recorte da subjetividade aflita e fragmentada que circula por nossos cenários bélicos e cotidianos, pós 11 de setembro. Narrativas que dizem muito da nossa condição doída e contraditória, das identidades inacabadas em trânsito neste início de milênio. Mas sem drama. Adriana esquece o drama na bagagem, e encara a Coisa assim: “Me erra, Coisa. Vai, sai, que este corpo não é teu.” Texto completo:

http://arquivodeformas.blogspot.com.br/2009/07/surto-com-rajadas-de-agua-lusa.html
Postado por Nonato Gurgel às 18:06 Nenhum comentário:
Marcadores: Letras, Música, Violência

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Francisco




Ao dizer que a cúria romana sofre de “infidelidades ao Evangelho”, o papa surpreendeu, às vésperas do natal, detonando o “alzheimer espiritual” que acomete parte da igreja. Isso, sem contar a “força” que ele deu para que EUA e Cuba reatassem relações diplomáticas suspensas há mais de 50 anos. Isso não é pouco: demonstra que o pontífice atua em duas frentes: uma, interna, concernente às questões da própria igreja; outra, de mirada visivelmente externa e filiação social.
 
Se o universo religioso sofreu em 2014 de "alzheimer espiritual", o espaço sócio-político registrou, neste ano, uma altíssima taxa de violência. Este foi um ano punk. Ano de perdas e guerras (Síria, Copa, Petrobrás), no qual o Brasil - campeão em acidentes de trânsito - ocupa um bom lugar no ranking da violência mundial: matamos mais de 10 mulheres e 1 gay a cada 24 hs. Povo cordial?
 
2014 foi também o ano no qual jovens inocentes pediram, em manifestações, a volta dos militares que não permitem manifestações. Para continuarmos no universo de Francisco, lembremos que enquanto a Argentina termina o ano punindo participantes da ditadura militar dos anos 70, os nossos militares sequer assumem as 436 mortes registradas pela Comissão da Verdade (sobre este tema, sugiro uma visita ao site Memórias da Ditadura).

Sabemos que a igreja é canônica, e que todo cânone é feito em cima da tradição, do passado. Isso significa que a igreja adora olhar para trás. Quer dizer que o papa ama a tradição. Creio que Francisco também gosta do passado, mas ele tem um pé no presente que é uma lufada de vida em meio ao "alzheimer" e à violência nossos de cada dia. Ao detonar a pompa e a pose em prol dos pobres, ele é o cara! Lembra o cara mais celebrado hoje: Jesus.
 
 
 
Postado por Nonato Gurgel às 05:19 Nenhum comentário:
Marcadores: Política, Religião, Violência

domingo, 21 de dezembro de 2014

Caminhos Cruzados

 
Título de uma das mais belas canções do Tom Jobim, Caminhos Cruzados (Quando um coração está cansado de sofrer...) nomeia o belo blog do poeta e professor Carlos Magno. É bastante produtiva uma visita a este oásis estético e existencial, em meio ao entulho verbal e narcísico que demarca boa parte do espaço virtual: http://palavora.blogspot.com.br/2014_11_01_archive.html
 
Segundo o Dicionário de escritores norte-rio-grandenses: de Nísia Floresta à contemporaneidade, publicado por Conceição Flores, em 2014, o poeta Carlos Magno fundou o fanzine Palávora, e ganhou, em 1990, o Prêmio Othoniel Meneses de poesia. Em 2005, o ex-articulista da Tribuna do Norte e professor da UFPB foi classificado no III Concurso de poesia Luís Carlos Guimarães.
Postado por Nonato Gurgel às 11:14 Nenhum comentário:
Marcadores: Cultura, Letras

sábado, 13 de dezembro de 2014

ver go nha



Político como Jair Bolsonaro é o fim. Ao detonar os direitos humanos, e dizer que a senadora Maria do Rosário “não merece ser estuprada porque é muito feia”, o deputado do PP carioca passou dos limites. É triste e revoltante ouvir sua fala bruta na Câmara Federal. Seu discurso machista, misógino e homofóbico representa uma porção retrógrada da humanidade. Diz muito da barbárie que ainda sedimenta boa parte da sociedade brasileira.


Precisamos ouvir JB. A barbárie que ele representa, no plenário, está presente em nosso cotidiano mais banal. É preciso que este militar se manifeste. Sua performance política tem muito dos gestos autoritários dos militares que não permitem manifestações, e cujo silêncio é um enigma. Acerca disso, basta ouvirmos o eloqüente silêncio dos militares contemporâneos, frente ao relatório apresentado, esta semana, pela Comissão da Memória, Verdade e Justiça.


Passados 30 anos do fim da ditadura, os militares não assumem violências nem torturas. Perante as 436 mortes registradas no referido relatório, eles posam de revanchistas e cobram os militares desaparecidos. Esse impasse dificulta a leitura da história. Impede a evolução da cidadania e dos direitos humanos. É preciso cultivar direitos e deveres, Jair. Isso é básico para todos. Principalmente para um parlamentar ser respeitado e não ultrapassar os limites. Como você.


Postado por Nonato Gurgel às 12:56 Nenhum comentário:
Marcadores: História, Política, Violência

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A poeta e a cidade

 
Para Marília Gonçalves
 
 
 
Natal, cidade dos vagalumes,
Cidade verde, de coqueirais.
 
                 Palmyra Wanderley
                 Roseira Brava, 1929

Postado por Nonato Gurgel às 14:18 Nenhum comentário:
Marcadores: Cidades, Letras

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Tom



 
(1927 - 1994)
Postado por Nonato Gurgel às 10:56 Nenhum comentário:
Marcadores: Música

sábado, 6 de dezembro de 2014

memorial


 
memória de um tempo
onde lutar por seu direito
é um defeito que mata
 
Pequena memória para um tempo
sem memória, Gonzaguinha

O site Memórias da Ditadura é uma leitura imprescindível num país cujas dificuldades de lidar com a história são evidentes. O site tem problemas de redação e faltam referências bibliográficas, mas isso não tem a menor importância. Criado pela Comissão da Verdade, este espaço merece ser visitado por quem tenta entender o nosso passado violento, autoritário e contraditório.

Manifestações recentes pediram o retorno de um regime político que não permite manifestações. Seria muito bom se a garotada que deseja a volta dos militares desse uma olhadinha aqui, vejam:

http://memoriasdaditadura.org.br/

Postado por Nonato Gurgel às 11:10 Nenhum comentário:
Marcadores: Cultura, História, Política

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Gullar na ABL

...

e pode às vezes
(o poema)
com sua energia
iluminar a avenida
ou quem sabe
uma vida

Esses versos do poeta Ferreira Gullar fazem parte do poema “Inseto”. Esse poema está no livro “Em alguma parte alguma” de 2009. Como sabemos, este livro faz parte de uma extensa bibliografia que começou a ser construída na década de 50, sendo composta de diferentes formas como a poesia, música, literatura infanto-juvenil, o teatro, crônica, ensaio, tradução, ficção...

Dentre os livros de poesia de Gullar, pelo menos três títulos podem ser lidos como alguns dos textos mais representativos da poesia moderna produzida no Brasil do século XX: “A luta corporal” (1954), “Dentro da noite veloz” (1975) e “Poema Sujo” (1976). Alguns temas e formas desses volumes estão presentes no livro “Em alguma parte alguma”. Nele lemos novamente as frutas podres na quitanda, ou amadurecendo escuras sobre a mesa; vemos os velhos personagens do Maranhão, lemos nomes de ruas do Rio, relemos bichos (haja gato, aranha, rato...) e, dentre outros, relemos um infindo exercício metalingüístico através do qual a trindade corpo-poema-cidade ganha vida e dialoga sem subordinação lingüística ou estética.

Esse diálogo entre o corpo, o poema e a cidade vivifica o ser e o estar no espaço moderno cotidiano. A vida vira um problema de linguagens, uma demanda de espantos. Pequenas epifanias em meio às sombras e cenários em ruínas de cada dia. O escuro ganha necessidade de forma, como na abertura do poema “Bananas podres 4”:  “É a escuridão que engendra o mel/ ou o futuro clarão no paladar”
 
Sol cotidiano

É da esfera luzidia do sol mais cotidiano que Gullar desentranha grande parte da sua escrita. O poeta sente na boca “o alarido do sol”. O cotidiano é sugado pela língua, tragado pelo olho. Paladar e visibilidade engendram esse cotidiano do poeta moderno romanticamente atravessado por relâmpagos e clarões que dão cria. Muitos relâmpagos. Epifanias. Não as epifanias à lá Clarice Lispector e Caio F, onde a luz atravessa, geralmente de forma atordoada e sã, o corpo de quem vê e frui.
 
Em Gullar, a luminosidade faz a sua travessia nas próprias coisas. Luz que atravess as veredas de um cotidiano chão, de onde brota uma poesia feita de pequenos esplendores, assim:
...

mas o perfume daquelas frutas
que feito um relâmpago
desceu na minha carne
... volta a esplender

Aos 84 anos, o ex-poeta de vanguarda esplende, enfim, na ABL. Ele merece as comemorações. Merece prêmios e leituras. Na leitura madura (“A maturidade é tudo”) de Alfredo Bosi que abre o livro “Em alguma parte alguma”, o crítico indaga se materialismo e metafísica “podem conviver em amorosa tensão”. Concluída a leitura, o leitor sabe que os dois temas podem conviver sim. O leitor saber que podem casar luz e osso.

Nesta poética onde Bosi ouve Drummond, meu ouvido também escuta timbres de Minas, mas ouve também Cabral (embora uma tonalidade concretista ecoe, de quando em vez, dos muitos versos entrecortados, de algumas palavras fragmentadas ou de algumas estrofes alinhadas como nos tempos que o mundo era concreto).

Gullar osso, luz: dessa fonte ecoam, desde há muito, “Barulhos”, “Muitas Vozes”...
 
 
 
Postado por Nonato Gurgel às 13:05 3 comentários:
Marcadores: Cultura, Letras

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

outro Benjamin



O biógrafo americano de Clarice Lispector às vezes se acha. O B Moser se acha, mas o seu olhar sobre o Brasil provoca  que é uma beleza, vejam:

" ... quando fiz a biografia de Clarice Lispector, fiquei atônito pela quantidade de coisas que botei no meu livro que as pessoas acharam “corajosas.” Não eram. Como dizer que Mario de Andrade era homossexual. Mas tantas vezes me disseram: “Aqui não se pode falar isso. Se eu falasse isso ou aquilo perderia meu emprego no jornal, na faculdade.” Isso impera em muitas áreas. E o ruim do projeto de censura às biografias é que, como tantas coisas no Brasil, não é uma ameaça direta. Esse não é o estilo brasileiro. Mas é um aviso. Porque quem vai comprar briga com gente poderosa? Então há grandes, imperdoáveis silêncios no Brasil. A ditadura militar é um dos maiores."

Apesar de algumas idéias de Benjamin Moser, sobre o Brasil, serem discutíveis, vale a pena ver a sua mirada estética e ideológica para as formas violentas como nos relacionamos com o tempo. Em seu ensaio sobre o país, o jovem biógrafo relê o nosso in-consciente político e social, desde as formas de Brasília, até as nossas ditaduras - a militar e a intelectual das biografias censuradas, dentre outras. Olhar estrangeiro sobre um Brasil contemporâneo e suas violentas con-tradições de cada dia:

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/proa/noticia/2014/11/benjamin-moser-o-brasil-esta-se-canibalizando-4653001.html

 
Postado por Nonato Gurgel às 12:14 Nenhum comentário:
Marcadores: Cultura

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

negra é a mão

  
Para Eduardo de Assis Duarte,
que me ensinou a ler
o caramujo negro
 

pintura de Rugendas, séc XIX
 
 

A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos,
como terá sucedido a outras instituições sociais.
... Um deles era o ferro ao pescoço... havia também
a máscara de folha de Flandres. ... Era grotesca
tal máscara, mas a ordem social e humana nem
sempre se alcança sem o grotesco,
e algum vez o cruel.
 
Machado de Assis, "Pai contra mãe"
in Relíquias de Casa Velha


Tradição

sob a vasta bigodeira de machado
os lábios da raça escondidos acho
a lâmina do riso e o discreto escracho

em cruz fico muito à vontade
para reunir setas de revolta
angústia e cravos
...
chego junto com os mano
nossa vida
muito tato e tutano

Cuti, Negroesia


 
 
p.s. 1
 
Brasil, último país a abolir a escravidão?

p.s. 2

O Rio de Janeiro foi a maior cidade escravista do ocidente.
No século XIX mais da metade da população era escrava.

p.s. 3

Negra é vida consumida ao pé do fogão
Gil, primeiro ministro negro

p.s. 4

-->
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/38587/numero+de+negros+em+universidades+brasileiras+cresceu+230+na+ultima+decada+veja+outros+dados.shtml
 

 
Postado por Nonato Gurgel às 10:46 Nenhum comentário:
Marcadores: Cultura, Letras, Violência

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Manoel de Barros (1916 - 2014)



Coisas que aprendi lendo O Guardador de Águas (1989):


Ele mexe com planta e com épocas.

Suporte de uma tapera é o abandono.

No osso da fala dos loucos têm lírios.


O rio ficou de pé e me olha pelos vidros.


Ela fode a pedra.
Ela precisa desse deserto para viver.

 
E as ruínas darão frutos.


Correm águas agradecidas sobre latas...

Postado por Nonato Gurgel às 11:41 Um comentário:
Marcadores: Letras

terça-feira, 11 de novembro de 2014

país cordial


O Brasil registra 50.806 homicídios dolosos (quando há intenção de matar) em 2013.
 
Quase 6 pessoas foram mortas a cada hora.
 
Estes números do Anuário de Segurança Pública ratificam o sétimo lugar que o país ocupa no ranking da violência mundial: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/brasil-bate-recorde-em-homicidios-e-fica-em-7o-entre-ranking
 
Postado por Nonato Gurgel às 23:20 Nenhum comentário:
Marcadores: Violência

domingo, 9 de novembro de 2014

biografias


 
Para quem atua no universo das Letras há mais de três décadas, é estranho não dispormos de algumas biografias fundamentais da Literatura Brasileira. Alguns dos autores que mais admiro – Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Guimarães Rosa – não possuem biografias. Sabemos que isso causa prejuízos infindos não apenas aos estudos literários.

A ausência de biografias destes autores causa danos às pesquisas em torno da cultura brasileira. Além das obras literárias que nos legaram, eles participaram ativamente da cena intelectual do seu tempo. No caso do trio modernista, eram funcionários públicos. Portanto, o país tem direito de saber sobre as atuações de Rosa no Itamaraty, Cecília na Educação e Bandeira na Universidade.
 
Sabemos também que a censura beneficia, na maioria das vezes, egos familiares e projetos individuais. Contra estas minorias autoritárias, recorto a seguir a fala de Christopher Andersen. Ele é biógrafo do Mick Jagger, e acaba de ter sua obra publicada no Brasil, com cortes. A censura à edição brasileira é motivada por um “acordo confidencial com Luciana Gimenez”, mãe de um dos filhos do cantor. Sobre os cortes em seu texto, diz o referido biógrafo nO Globo de hoje:  


— Fiquei chocado ao saber que o Brasil proíbe biografias não autorizadas. Como o país pode ser uma sociedade livre sem saber a verdade sobre suas figuras públicas? ... Depois de 45 anos de carreira e 33 livros, aprendi que a maioria... mentiu por tanto tempo sobre a própria vida que esqueceu o que é real. Em nenhuma edição estrangeira de meus livros trechos foram suprimidos. A verdade é a verdade. Censura é censura. Qual é o próximo passo, fogueiras de livros? Essas celebridades que defendem causas liberais e depois tentam controlar tudo o que é escrito sobre elas são muito hipócritas...
 
 
 
Postado por Nonato Gurgel às 11:04 Nenhum comentário:
Marcadores: Cultura, Letras

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

clarões de Clarice



p/ vc q ouço 
 

Eram dias claros e altos, tecidos no ar pelos passarinhos. Asas, pedras, flores e sombras profundas formavam o novo calor úmido. ... Porque entender é um modo de olhar. Porque entender, aliás, é uma atitude. ... Só os impacientes não entendiam as regras do jogo.

Ficou bem quieto. ... Só Deus não teria nojo de seu torto amor.  ... Que seria afinal de nós se não usássemos, como Deus, a obscuridade? ... Martim abaixou os olhos escondendo o fato de estar tão complexo e perfeito.

Algumas idéias, e o espanto. ... a mímica da ressureição... Não amar era a natureza errando. ... eu só tenho fome. E esse modo instável de pegar no escuro uma maçã - sem que ela caia.
 
Clarice Lispector, Terceira Parte, A maçã no escuro
Postado por Nonato Gurgel às 12:53 5 comentários:
Marcadores: Letras

sábado, 1 de novembro de 2014

Fraga


                                                                                       Para Márcia, Liz e Rodrigo 
 

no oco do osso
há um seco eco
de atabaques
risos de bodas
guizos de Baco


Antonio Fraga, Moinho e



Postado por Nonato Gurgel às 15:09 3 comentários:
Marcadores: Cultura, Letras
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial
Assinar: Postagens (Atom)

Professor de Teoria da Literatura e de Literatura Universal UFRRJ

Minha foto
Nonato Gurgel
Ver meu perfil completo

2014

2014

2016

2016

2017

2017

2018

2018

miniSertão 2018 2a ed.

miniSertão 2018 2a ed.

sobre os textos

Quando não consta autoria ou aspas, o texto é do editor do blog.

A R Q U I V O

  • ▼  2018 (2)
    • ▼  agosto (2)
      • Lendário Livro
      • Ilza lê Borges
  • ►  2016 (13)
    • ►  novembro (2)
    • ►  agosto (2)
    • ►  maio (1)
    • ►  abril (5)
    • ►  março (1)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2015 (17)
    • ►  dezembro (1)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (5)
    • ►  setembro (5)
    • ►  agosto (2)
    • ►  julho (1)
    • ►  janeiro (1)
  • ►  2014 (60)
    • ►  dezembro (11)
    • ►  novembro (6)
    • ►  outubro (8)
    • ►  setembro (4)
    • ►  agosto (2)
    • ►  julho (8)
    • ►  junho (7)
    • ►  maio (4)
    • ►  abril (3)
    • ►  março (2)
    • ►  fevereiro (1)
    • ►  janeiro (4)
  • ►  2013 (60)
    • ►  dezembro (6)
    • ►  novembro (8)
    • ►  outubro (4)
    • ►  setembro (5)
    • ►  agosto (3)
    • ►  julho (3)
    • ►  junho (6)
    • ►  maio (9)
    • ►  abril (4)
    • ►  março (7)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2012 (76)
    • ►  dezembro (4)
    • ►  novembro (7)
    • ►  outubro (2)
    • ►  setembro (4)
    • ►  agosto (4)
    • ►  julho (4)
    • ►  junho (4)
    • ►  maio (7)
    • ►  abril (8)
    • ►  março (8)
    • ►  fevereiro (8)
    • ►  janeiro (16)
  • ►  2011 (85)
    • ►  dezembro (10)
    • ►  novembro (7)
    • ►  outubro (11)
    • ►  setembro (3)
    • ►  agosto (4)
    • ►  julho (13)
    • ►  junho (12)
    • ►  maio (5)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (7)
    • ►  fevereiro (7)
    • ►  janeiro (4)
  • ►  2010 (103)
    • ►  dezembro (10)
    • ►  novembro (8)
    • ►  outubro (13)
    • ►  setembro (14)
    • ►  agosto (18)
    • ►  julho (6)
    • ►  junho (2)
    • ►  maio (5)
    • ►  abril (4)
    • ►  março (16)
    • ►  fevereiro (4)
    • ►  janeiro (3)
  • ►  2009 (168)
    • ►  dezembro (10)
    • ►  novembro (24)
    • ►  outubro (13)
    • ►  setembro (13)
    • ►  agosto (19)
    • ►  julho (19)
    • ►  junho (19)
    • ►  maio (9)
    • ►  abril (11)
    • ►  março (14)
    • ►  fevereiro (11)
    • ►  janeiro (6)
  • ►  2008 (30)
    • ►  dezembro (13)
    • ►  novembro (13)
    • ►  outubro (4)

Língua do Pé - Parcerias

  • Arquivo de Formas
  • I M - UFRRJ
  • Ser Universitario
  • Substantivo Plural

Leitores

Pesquisar este blog

Postagens populares

  • O cheiro continua
    . . . . . . . . . . Para Regina Pinheiro, musa de Geraldo Spinelli e amiga querida . O post sobre cheiro rendeu e-mails, scraps no orkut e c...
  • Perseu - escudo, capacete, sandálias aladas
    . . Para cortar a cabeça da Medusa, o herói teve ajuda de 3 divindades: Atena , Hades e Hermes . Atena deu-lhe um escudo polido; Hades, um ...
  • Oriente-se
    UFRRJ – IM – DL – CURSO DE LETRAS LOCAL E DATA: Campus de Nova Iguaçu, 13/11/15 Oriente-se A escrita monográfica como inscrição acad...
  • Euclides na Biblioteca Nacional
    EUCLIDES DA CUNHA - uma POÉTICA do ESPAÇO BRASILEIRO é a exposição cuja cerimônia de abertura acontecerá nesta quinta, 13/08, na FBN, em hom...
  • I Seminário sobre representação animal na Literatura
    Nesta sexta-feira, dia 02, participo desta mesa no evento que começa hoje na UERJ: Comunicações (13) – Moderadora: Miriam Lourdes Impell...
  • Carta aos leitores de Borges na Rural
    Para as alunas de Literatura Universal       Walquíria,   Sua pergunta é pertinente, mas não é fácil de responder. Resumi...
  • O planalto Nonada
      Um   rabisca   o rio seco e problemático sem afluente nem terceira margem   O outro   entorna o rio navega mares   nada nas curvas...
  • Perder
    Poeta, Perder é uma arte, uma lenha ou um tição no terreiro deserto? Sei q morrer é foda, sumir é foda e foder tb é.   Como ja mor...
  • Bishop e Ana C
    Para os alunos de Teoria da Literatura que estão lendo O Iceberg Imaginário e Poética   Bem vinda a esta casa é o título do belo d...
  • Clarice vai à Feira
    I Conferência de Saberes e Tradições Nordestinas Local: Rio de Janeiro, Centro Luiz Gonzaga - Feira de São Cristóvão,17 a 20 de Setembro ...

MARCADORES

  • Letras (408)
  • Cultura (205)
  • Música (100)
  • Política (62)
  • Afetos (54)
  • Cidades (46)
  • Cinema (46)
  • Educação (32)
  • Religião (31)
  • História (26)
  • Sertão (21)
  • TV (20)
  • Mito (17)
  • Pintura (13)
  • Artes (12)
  • Morte (11)
  • Violência (10)
  • Cartas (8)
  • Informática (8)
  • Esporte (7)
  • Medicina (5)
  • Sexo (5)
  • Fotografia (4)
  • Crônicas (3)
  • Grafite (2)

minhas leituras

  • Raul e a Literatura
    A GAROTA QUE VIROU UMA CARPA
    Há 15 horas
  • ideia subalterna
    Há um mês
  • ACONTECIMENTOS
    Há 2 anos
  • Bicho Esquisito
    Desmolha
    Há 7 anos
  • FIRMA IRRECONHECÍVEL: BLOG DE ROBERTO BOZZETTI
    Há 7 anos
  • blogdabn
    Documentos Literários | Fotos, política e cartas de amor: o Inventário Tobias Monteiro
    Há 7 anos
  • LER
    Os livros que fazem feministas
    Há 8 anos
  • ameusamigos
    Eunice Arruda
    Há 9 anos
  • JORNAL DE ARTES
    O chinês Cao Guo-Quiang, artista do fogo
    Há 9 anos
  • corpo portátil
    [Orelha]
    Há 10 anos
  • Livrarias Assírio & Alvim
    É sempre bem-vindo(a)!
    Há 11 anos
  • José Castello» A literatura na poltrona
    Poesia e silêncio
    Há 11 anos
  • o silêncio dos livros
    Há 11 anos
  • O GLOBO » Blogs » Prosa Online
    Novo site do GLOBO ganha seção dedicada a livros
    Há 12 anos
  • litcult.net/site
  • UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Translate

Rio, fé na Paisagem

Rio, fé na Paisagem
O Rio de Janeiro é uma cidade cujas formas – naturais, urbanas, históricas, culturais – abastecem com luminosidade e ritmo o corpo de quem anda por suas ruas. Esse abastecimento luzidio faz com que os pés vejam, os olhos ouçam, as narinas optem. Por isso o corpo fala, dialoga com o entorno. Leitora diária da paisagem carioca há mais de duas décadas, Jussara Santos ouve o diálogo que a natureza e a cultura vêem tramando por aqui desde 1565, quando Estácio de Sá fundou o município de São Sebastião do Rio de Janeiro.


Nonato Gurgel sobre Painéis do Rio

Baía Formosa revisited


no meio
do caminho
disse a brisa

a sua história
é mais bonita
que a do Bandeira:

ir para o Nordeste
viver de brisa
com Anarina

sem cacto
no meio
da rua
nem pedra
no meio
do caminho



Ouro, um beijo




... Atenta aos ciclos do tempo, Ouro Preto nos olha. Mas a cidade não se entrega ao primeiro olhar de quem a visita ou vê. Seus mais de trezentos anos emprestam-lhe a segurança de quem sabe ser o tempo o pai da forma. Suas fachadas falam. Seus vãos, as treliças e as janelas (fechados ou luzidios) estão sempre a nos espreitar, possibilitando um diálogo óptico através do qual somos mais vistos que vemos. Em Ouro, a luz é sem data, diz Cecília Meireles. Aqui, uma luminosidade suave (nunca indecisa) namora a pele secular das paredes. Esse namoro entre a luz e a pedra leciona uma lição que nos ensina serem a leveza e a superfície princípios vitais da existência e da criação.





Ouro Preto, 2001





Pureza


um grilo estupra o silêncio

Coimbra é uma lição


No centro de Portugal, no coração do país encontra-se sua mais antiga universidade . Em Coimbra estudaram escritores fundamentais da literatura portuguesa, como Almeida Garret e Eça de Queiroz, dentre outros. Como na canção eternizada por Amália Rodrigues, no Olympia, "Coimbra é uma lição". Por suas tradições culturais e pela suntuosidade do seu passado histórico (aqui nasceram vários reis lusos), a cidade estará sempre a lecionar aos seus transeuntes. A lição é dada na rua, ao vivo, frente aos monumentos que os turistas devoram através de lentes esfomeadas. Mas, se a lição entoada na antiga canção era feita "de sonho e tradição", a lição de hoje, a que está nas ruas, possui bem curta a sua porção onírica. Não há lágrima pela fragmentação existencial, como nos tempos de Garret, nem sonhos pixados nas paredes de hoje. O tempo urge nas mentes jovens da cidade antiga, de ritmos lentos, onde os templos do Mc Donalds convivem, sem atrito, com igrejas seculares. Nenhuma utopia inscreve-se nos muros brancos desta cidade linda, habitada, em 2013, por mais de 30 mil estudantes do mundo inteiro. Eles reinam nas ruas. Com suas ostentosas torgas pretas, eles voam feito anjos negros sempre em busca. Isso pode ser lido nas linguagens das ruas. Como no grafite escrito a carvão, num muro branco, próximo a universidade: "parecem bezerros a gritar, animais". Outro grafite parece traduzir a crise e o grito ancestral que emana deste grafite anterior: "somos filhos do Euro = Nada". Atento a estes grafites, geralmente escritos nos espaços históricos e mais asseados da cidade, fui surpreendido por um grafite oral, por uma epígrafe ao vivo, na estação de comboios Coimbra B. Lá, uma transeunte cuja mala parecia lhe pesar, disse para o senhor ao seu lado: "Comboios, ao contrário dos passageiros, dificilmente saem dos trilhos". A jovem senhora não sabia de algo que mudaria o roteiro de nossas viagens, e a noção de pontualidade que foi sempre tão cara aos europeus: o trem que ali esperávamos, atrasaria cerca de 40 minutos.

Coimbra é, para sempre, uma inesquecível lição do tempo.



Ponta negra


tinha uma brisa no meio do caminho

Santiago de Compostela


o passado brota produtivo

Jardim do Piranhas


pro Piranhas fluir feliz

todo rio é pre-
texto de olho fixo
que o fite e flua
na busca de lê-lo

na lição do rio
cursa-se seu curso
nos discursos hídricos
nas memórias líquidas

nada lírica
épica perene


Total de visualizações de página

Nossa língua é os pés

Nossa língua é os pés
Dunga

assentar os pés onde outros pés deixaram marcas

Saramago

O pé porém não se abandona. Diante do mar e do vento ele permanece ereto, como se vigiasse...

J.M.G de Clézio

O ritmo antigo que há em pés descalços

Fernando Pessoa / R Reis

lâmpada para os meus pés é a tua palavra

Salmo 119/ Ana C

manter os pés levantados é condição fundamental para desfrutar a leitura

Italo Calvino

Os pés de manhã/Pisar o chão/Eu sei a barra de viver - Logo cedo pé na estrada

Gil

Visitantes a partir de 20/10/09

Arquivo de Formas

  • Arquivo de Formas
    passando a chave - Caro(a) leitor(a) Criado em 2009, este arquivo funciona agora apenas para consulta. Atualmente os meus textos são postados no blog Língua do Pé, no lin...
    Há 14 anos

sites, revistas

  • Adriana Calcanhoto
  • Autores
  • Henrique Cairus
  • João Batista de Moraes Neto
  • PACC
  • Paulo Leminski
  • Revista Bestiário
  • Revista dedo d prosa
  • Revista Pequena Morte

Tema Espetacular Ltda.. Tecnologia do Blogger.