e todo caminho deu no mar

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"lâmpada para os meus pés é a tua palavra"

terça-feira, 28 de maio de 2013

espectros de Derrida


 
Derrida não é uma biografia intelectual. Apesar disso, o autor pontua as trajetórias acadêmica e editorial do filósofo argelino. O livro perpassa as principais obras e alguns empreendimentos profissionais deste filósofo que é reconhecido como um exímio leitor de, dentre outros autores, Husserl, Hegel, Freud, Marx e Heidegger – “o filósofo que sem dúvida mais o mobilizou” (p. 401).


Derrida não oculta os atritos e as polêmicas travadas com autores como Lacan, Foucault, Bourdieu e Habermas, dentre outros, nem as aflições de sua vida familiar. Além dessas polêmicas, o livro "traça" a carreira internacional do filósofo que tem nos Estados Unidos o principal espaço de inscrição acadêmica e midiática.

 
Derrida ficou conhecido no espaço universitário, a partir dos anos 60, principalmente por propor a “desconstrução”. Trata-se, segundo ele, de “um modo de pensar... a história da filosofia no sentido ocidental”. Lido, às vezes, como um autor cru, cruel e arriscado, cuja sintaxe dilatada nem sempre ajuda, ele fez, da sua voz suave e precisa, uma “assinatura sonora” (p. 535). Essa “assinatura” inscreve – ao vivo, no papel, na tela – as entrevistas, conferências e, principalmente, os seminários repletos de releituras em torno dos conceitos, dogmas e procedimentos que servem de base para o projeto da metafísica no Ocidente.

 
No próximo post, uma entrevista com Evando Nascimento. Ele é ex-orientando e tradutor de textos do filósofo argelino, como A universidade sem condições (Estação Liberdade, 2003) e Papel Máquina (Estação Liberdade, 2004). Autor de Derrida e a Literatura (EdUFF, 1999 e 2001 – 2ª ed) e Derrida (Jorge Zahar, 2004), Evando é também professor universitário. Como escritor, ele publicou, dentre outros, Retrato Desnatural (2008) e Cantos do Mundo (2011),  ambos pela Record. Além de autor, ele é, agora, personagem.  

 

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