e todo caminho deu no mar

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"lâmpada para os meus pés é a tua palavra"

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Euclides na Biblioteca Nacional


















EUCLIDES DA CUNHA - uma POÉTICA do ESPAÇO BRASILEIRO é a exposição cuja cerimônia de abertura acontecerá nesta quinta, 13/08, na FBN, em homenagem aos 100 anos de morte (15/08/1909) do escritor que nasceu em 1866 em Cantagalo-RJ.
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A leitura da poética espacial euclidiana possui assinatura do poeta, tradutor e ensaísta Marco Lucchesi (UFRJ), cuja bibliografia ostenta cerca de 12 títulos, com traduções para o persa, o romeno e o almeão, dentre outros idiomas.
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Barroco Cipó
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Em seu livro póstumo Anseios Crítpticos, o poeta Paulo Leminski lê Os sertões como um texto “barroco positivista/ estilo de cipó”. Essa metáfora do cipó é uma referência a um dos mais renomados intérpretes do Brasil no final do século XIX: Joaquim Nabuco. Nabuco dizia que Euclides escrevia com um cipó.
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A leitura leminskiana possui na sofisticação da linguagem euclidiana um dos seus alvos, e aponta para uma gradação estilística e formal, “um longo percurso textual”, que vai “das anotações às reportagens” até chegar a escrita definitiva de Os sertões. Segundo Paulo Leminski,


Euclides da Cunha...
traumatizou
uma literatura feita por bacharéis
ornamental
“sorriso da sociedade”
brilho dos salões do 2o império
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Antonio Celso Conselheiro: "oratória bárbara e arrepiadora, feita de excertos truncados das Horas Marianas, desconexa..."

O brasileiro, tipo abstrato que se procura... só pode surgir de um entrelaçamento consideravelmente complexo.

Teoricamente ele seria o pardo, para que convergem os cruzamentos do mulato, do curiboca e do cafuz.
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Avaliando-se, porém, as condições históricas que têm atuado, diferentes nos diferentes tratos do território; as disparidades climáticas que nestes ocasionam reações diversas diversamente suportadas pelas raças constituintes; a maior ou menor densidade com que estas cruzaram nos vários pontos do país; e atendendo-se ainda à intrusão - pelas armas na quadra colonial e pelas imigrações em nossos dias - de outros povos, fato que por sua vez não foi e não é uniforme, vê-se bem que a realidade daquela formação é altamente duvidosa, senão absurda.
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"O Homem" in Os sertões (1902), Euclides da Cunha

6 comentários:

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Leni Correia disse...

Algumas frases de Euclides da Cunha:

- Eu não sei ser alegre, nasci triste.

- A desordem é o método da natureza.

- O sertanejo é a cima de tudo um forte.

- Nasceu uma espiga de milho no meu cafezal.

- Eu fico me perguntando será que algum dia eu vou dar certo.

- Espera, espera, tive uma idéia e uma idéia não se deixa fugir.

- Essa tua filha, o espírito dessa mulher me suplanta, me esmaga.

- Ao viajar para o Acre ele diz para a esposa e os três filhos: Minhas quatro saudades.

- Temos que nos preparar para século XX há de ser o século da indústria e da ciência.

- Esse país ainda não teve um interprete, eu posso ser o interprete que esse país ainda não teve.

- Quero viver do meu trabalho de engenheiro, dos meus escritos. Eu não tenho vocação para a espada, a arma que eu sei manejar é a pena.

- É impressionante, vivem todos fascinados pelo estrangeiro, o Olavo Bilac disse; se não posso morar em Paris, quero eu ao menos morrer em Paris.

- Estão falando sobre a mudança da capital. A capital tem que ser em Goiás porque fica o nosso desenvolvimento concentrado todo aqui, no litoral. A capital tem que ser no interior do país, no centro, uma luz colocada no centro ilumina por igual em todos os cantos.

Falando com Coelho Neto sobre sua tuberculose:

- Eu sempre posso contar com essa bela energia de caboclo. Talvez tenha que ser assim a vida deste imortal que não tem onde cair morto.

- Eu já nem gosto de abrir "Os Sertões", a cada página eu fiz um erro, É um acento importuno, uma vírgula vagabunda, é uma catástrofe, eu fico apavorado.

- Passei no concurso de Lógica, ao menos agora tenho Instabilidade. Só o que me desagrada é que o Barão do Rio Branco tenha interferido para a minha nomeação. Tudo nesta terra depende de pedidos, uma coisa que eu acho repugnante.

- Devolvi o dinheiro. Fui ao tesouro devolver meus vencimentos pelo trabalho de comissão, já acabei meu trabalho, então devolvo o meu ordenado. Eu quero ser pago as claras, pelo que faço e não clandestinamente pela verba secreta da amizade.

- Eu tenho medo desse progresso que se envergonha da natureza. A natureza é e será sempre o grande motor da vida. Clamarei sempre, revolta-me ver a cidade engolindo a floresta, ver a sarjeta engolindo a flor.

Euclides da Cunha.

Nonato Gurgel disse...

Cara Leni C

Muito obrigado pelas citações do
Euclides. Elas tornaram meu blog
muito mais interessante através do seu olhar euclidiano.
Agradeço, portanto, por vc existir
cheia de lucidez.

Abraço
Nonato Gurgel

jeanne disse...

tudo o que disser sobre as citaçoes de euclides da cunha sera muito pouco.Ele simplesmente foi o maior intelectual de sua epoca.Jeanne Correia.

Nonato Gurgel disse...

valeu, Jeanne, bj

Anônimo disse...

amei o post e o blog
parabens, prof


bj
Cintia