e todo caminho deu no mar

e todo caminho deu no mar
"lâmpada para os meus pés é a tua palavra"

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Caro Euclides da Cunha




Para Vivi W


Só depois de ler
a biografia de D Pedro II
escrita por José Murilo de Carvalho
eu entendi a sua aflição de jovem
cadete contra a República
a ponto de lançar o próprio sabre
aos pés do ministro da guerra
durante uma solenidade na Urca
realizada na Escola Militar



Agora eu sei meu caro senhor
além de órfãos e fluminenses
o escritor e o político tinham
outras coisas em comum como
o respeito pela Monarquia e amor
às Letras, às Ciências, ao Brasil



Em comum eles tinham também
o apreço pelo positivismo e o IHGB
o gosto pela arte, a atividade epistolar
o exercício das viagens e admiração
por Victor Hugo e Benjamin Constant



A história registra em ambos
uma certa dificuldade ao lidar
com os afetos mais cotidianos
e um jeito de polir a aflição
lendo sem parar – livros livros
livros e os rostos ao redor cujos
letreiros anunciavam batalhas
políticas, militares ou amorosas



Isso sem contar a imensa
falta de sorte que tiveram –
caramba – o imperador e o sr
no trato com as mulheres:
a dele mancava; a sua, traía



Por isso qualquer um dos dois
poderia ter escrito “um tição
aceso no terreiro deserto”*



* Frase do livro "Os Sertões" (1902), de Euclides da Cunha. As demais informações sobre o escritor estão no livro "Retrato interrompido da vida de Euclides da Cunha" (2003), de Roberto Ventura


3 comentários:

Vivi Milward disse...

Obrigada, meu amigo... amei o texto e a oferta. Sempre lindo na alma e na escrita. bjs

Nonato Gurgel disse...

querida Vivi
o primeiro Euclides a gente nunca esquece, Os Sertões de capa verde,
lembra? tenho até hoje o seu belo presente

bj

Alexandra Moraes disse...

sertões...