e todo caminho deu no mar
"lâmpada para os meus pés é a tua palavra"
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Eterno abandono
Eterno
E como ficou chato ser moderno.
Agora serei eterno.
...
... que a precisão urgente de ser eterno bóie como uma
esponja no caos
e entre oceanos de nada
gere um ritmo.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Alguns inícios são assim
Floração da prosa relida
Antes de iniciar este livro, imaginei
construí-lo pela divisão do trabalho.
Algum tempo hesitei se devia abrir
estas memórias pelo princípio.
Esta história começa numa noite
de março tão escura...
O céu tão azul lá fora,
e aquele mal-estar aqui dentro.
Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto;
Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai...
O mal foi ter eu medido o meu
avanço sobre o cabresto.
João está na minha frente. Pálido.
Pergunta se não quero fazer
café. Nonada. Tiros que o senhor
ouviu ergo sum, aliás, Ego
sum Renatus Cartesius,
cá perdido.
Verdes mares bravios de minha
terra natal. Trilha sonora
ao fundo: a entrada do sertão.
Ana C., Caio F, Clarice Lispector, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, José de Alencar, João Gilberto Noll, Machado de Assis, Oswald de Andrade, Paulo Leminski, Raduan Nassar e Raul Pompéia.
Antes de iniciar este livro, imaginei
construí-lo pela divisão do trabalho.
Algum tempo hesitei se devia abrir
estas memórias pelo princípio.
Esta história começa numa noite
de março tão escura...
O céu tão azul lá fora,
e aquele mal-estar aqui dentro.
Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto;
Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai...
O mal foi ter eu medido o meu
avanço sobre o cabresto.
João está na minha frente. Pálido.
Pergunta se não quero fazer
café. Nonada. Tiros que o senhor
ouviu ergo sum, aliás, Ego
sum Renatus Cartesius,
cá perdido.
Verdes mares bravios de minha
terra natal. Trilha sonora
ao fundo: a entrada do sertão.
Ana C., Caio F, Clarice Lispector, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, José de Alencar, João Gilberto Noll, Machado de Assis, Oswald de Andrade, Paulo Leminski, Raduan Nassar e Raul Pompéia.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
só me conheço como sinfonia
Para Ana F.
alma não tem cor
.
até quando o corpo pede
um pouco mais de alma
.
se tivesse mais alma pra dar eu daria
isso pra mim é viver
.
isso pra mim é viver
.
a minha alma tem um corpo moreno
nem sempre sereno
.
calminha alma minha
.
minha alma canta
Chico C, Lenine, Djavan, Abel S, Zeca B, Tom J
nem sempre sereno
.
calminha alma minha
.
minha alma canta
Chico C, Lenine, Djavan, Abel S, Zeca B, Tom J
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Sertão I

Tem uma crônica da escritora Rachel de Queiroz na qual ela diz, atribuindo a Santo Agostinho a assertiva, que os problemas são os cachorros de Deus. Ao descobrir essa crônica, minha querida aluna Favo de Mel escreveu-me inconformada. Segundo ela, essa cachorrada foi dita por Nietzsche, não por Agostinho.
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Para Favinho - é assim que a chamo desde o Internato - tem muita gente divina soltando os cachorros. Por isso, para ela, o mundo é mesmo uma grande cachorrada. Uma sinfonia de latidos. Um canil de cheiros. Milhões de rabinhos abanando.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Sertão de Serra Talhada III
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Floração da prosa no Sertão
Leio a Caderneta de Campo de Euclides da Cunha, editada pela Biblioteca Nacional. Este caderno é o nascedouro de Os sertões - livro publicado em 1902 e que as faculdades de Letras estão começando a ler. Segundo mestre Antonio Candido, o livro assinala "o fim do imperialismo literário".
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Autor que arengava com o Império, órfão de pai e homem aflito, Euclides e sua linguagem são extremamente contemporâneos. Em sua breve existência de 43 anos, o engenheiro fluminense de formação positivista habitou matas e margens. Cultivou desertos. Vivificou a diferença humana expressa na paisagem, no corpo, na fala do sertanejo.
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Leio também um dos Cadernos de Literatura do IMS dedicado a Euclides, com fotos de Canudos e ensaio de Walnice Nogueira, de quem leio No Calor da Hora. Todas essas leituras convergem para o curso Floração da prosa no Sertão que estou ministrando na Casa da Leitura, em Laranjeiras, até 14 de Setembro. O curso ratifica a tese de Willi Bolle que lê Grande Sertão: veredas como uma releitura de Os sertões, o livro vingador.
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Na próxima terça a aula terá Os Sertões como tema, com fotos especiais de Serra Talhada no sertão pernambucano. Paragens de Lampião. Estou aprendendo muito neste curso. Os inscritos criaram um clima dialógico, afetivo, tornanado as formas de participação bastantes produtivas. Ainda restam algumas vagas para quem desejar certificado. Todos convidados.
sábado, 24 de julho de 2010
hj no JB
Com o título "O sentimento do tempo", o Caderno Idéias do Jornal do Brasil publica hoje minha resenha sobre o livro de ensaios O Guardador de Segredos, de Davi Arrigucci Jr.
http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/23/e230719542.asp
http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/23/e230719542.asp
domingo, 18 de julho de 2010
lá fora Deus nas acácias e laranjeiras
Luz. Muita luz. Lembro de pontos luminosos sobre águas infindas. Tipo já escuto os teus passos. Ou: no mar estava escrita uma cidade - lembra Ailton mais de uma década depois. Iniciado em pequenos tremores, abalos, retorvisores e curvas, desconfio das circunstâncias e albergo ânimo em prol. Lembro Clairce no Leme e Pedro no Paço: lá fora Deus nas acácias e digo ao povo que fico.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
A floração da prosa no Sertão
Inicia no dia 27 de julho o curso que vou ministrar na Casa da Leitura - PROLER, Laranjeiras, Rio. O curso possui a prosa moderna produzida no século XX como objeto de leitura.
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Dentre os autores lidos destacam-se Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. As aulas iniciam às 15 hs. Os participantes receberão certificados. O curso é gratuito.
sábado, 10 de julho de 2010
3 goles de Rûmî
Como ordenhar uma nuvem,
se ela não for generosa?
&
E a cada sonho, a alma
abeira-se da Forma.
&
Já não tenho mais sede,
o rio me procura.
Trad. Marco Lucchesi
se ela não for generosa?
&
E a cada sonho, a alma
abeira-se da Forma.
&
Já não tenho mais sede,
o rio me procura.
Trad. Marco Lucchesi
domingo, 6 de junho de 2010
Ca-fé
Sol na padaria. Desfruto do pequeno luxo que é tomar café no balcão, mudo ou dialogando, com ou sem açúcar. Começo encarando a caixa de sotaque nordestino, de quem fico amiguinho de infância, fácil fácil...
Escolher o local do balcão – espaço é poder – define quem terei ao lado. A degustação do café e do pãozinho na chapa tem muito a ver com o local no qual eles - o café, o suco, o pão - serão devorados com renovado desejo matinal.
Da caixa já sei naturalidade e estado civil. Acertei ao sentar no local próximo à pia (há um espaço vazio ao lado). E agora o principal: serei servido pela moça grávida, curva cheia de pulsações ou pelo homem reto que narra a história da pele?
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Saboreio como rei uma média deste alimento que contém a fé no próprio nome. Por isso não falha. Na cabeça, um samba de Cartola que diz "ninguém acerta sem primeiro errar", e uma frase de Clarice: "Perdão é um atributo da matéria viva". Perdoa, vai!
terça-feira, 1 de junho de 2010
Animais em decomposição
Cavalos paridos dos mesmos mitos e máscaras. Guiados, há séculos, por estórias, signos e cifras de ritmos urbanos no calor da hora. Os corpos, no fim das contas, ditam roteiros e cobram prazos que é uma beleza. Eles dizem mais que sabemos. A linguagem já não se transforma num Deus que salva ou adia. Ela pede.
Memórias daqueles tripulantes que serviam à mesa. Ao fim do jantar, descobria-se que o capitão da nave, às vezes, não era tão heróico assim. Havia cavalos em decomposição nas suas vestes. Nos seus olhos, uma estrada escura onde autos guiam na trilha do sonho.
Dizer que é culpa das mulheres, do velho do Restelo ou dá escola já não diz. Fundaram o país do batismo a esta altura. Azul azul que não encanta. Canta: como uma sereia em cujo seio mapeio a canção do coice que, no monte, abre uma fonte.
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