O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
F.PessoaO rei e poeta D. Dinis fundou a primeira universidade portuguesa e incentivou a agricultura.
É, portanto, responsável pela madeira das caravelas
do descobrimento (“O plantador de naus a haver”).
Tudo é ainda baixo, infante, nascituro, tudo ainda não é: a noite ainda não é dia; os pinhais ainda não são naus; ... o arroio ainda não é o oceano; ... a terra ainda não é o mar. E, no entanto, em movimento refluente, tudo já foi: as naus já foram pinheiros; o oceano já foi arroio; o mar já foi terra, porque em D. Diniz estão, de forma clarividente, o antes e o depois.
(Maria Almira Soares)
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