e todo caminho deu no mar

e todo caminho deu no mar
"lâmpada para os meus pés é a tua palavra"

sábado, 29 de novembro de 2008

Às curvas da torre branca

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I

Do alto de sua juventude cosmopolita com pequenos tiques rurais, questiona. Consegue respostas hábeis, soluções dinâmicas, quase sempre em terra plana. Formas evidentes. Não saca a vertigem de quem vive o ciclo do fogo no triângulo das águas. Por isso não vê o pasto que a chuva aduba nem sente o tamanho do glorioso guarda-chuva que Rita Bahiana quase agarra em pleno restaurante.

II

Embora tenha viajado por mares dantes, nunca ouviu chuva com a entrega de quem assiste missa. Também não desprende o tesão de quem urra num show. Sabe que a antiga pitonisa continua solta dando senhas: “São as pernas andróginas de Orlando. Mas sempre do outro lado.”

III

Só falta o garçom voltar trazendo a inquietude de bandeja, anunciar novo prato e repetir falando sério: é bem melhor você parar com essas coisas... Se não, a torre treme, o sertão inunda e é bem capaz do Riobaldo dessa vez fazer acordo –- não pacto.
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Um comentário:

Juca Mulato disse...

acordo, tudo bem; mas pacto mata

abração